domingo, fevereiro 03, 2013

Resenha Cem anos de Solidão - Gabriel Garcia Márquez

Título: Cem anos de solidão
Autor: Gabriel García Márquez
Editora: Record
Primeira publicação: 1967 (Brasil)
Skoob

Sinopse: Em Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe dos solitários para a qual não será dada uma segunda oportunidade sobre a terra. O livro também pode ser entendido como uma autêntica enciclopédia do imaginário.
Eu poderia muito bem começar esta resenha contando-lhes um pequeno "resumo" da história que pudesse lhes dar mais informação do que só a sinopse, mas não farei isso. Seria, acredito eu, um sacrilégio tentar montar por mínimo que seja um resumo com as minhas palavras para esta história. Mas para que se orientem, esta narrativa conta a história dos Buendía os fundadores da fictícia cidade colombiana de Macondo, passando por sua criação e anos de glória até o seu derradeiro esquecimento.

Contém spoiler do livro
No decorrer da narrativa somos apresentados à família Buendía e seus vários Arcádios, Aurelianos, Amarantas e Úrsulas todos personagens muito peculiares com a sina de levar consigo não só o nome de um antepassado mas também o estado de espírito da família. O primeiro deles é José Arcádio Buendia que vai de um visionário à louco durante o decorrer da história e que é o patriarca dessa família fadada a solidão. É ele quem funda a cidade de Macondo, casado com Úrsula Iguarán (que viveu cerda de 122 anos) ele tem 3 filhos, Amaranta, José Arcádio e Aureliano. E nenhum deles conseguirá ter uma felicidade plena no amor. São todos apaixonados e impulsivos e acabam sempre sozinhos em seus desígnios. 
Além dos Buendía há também alguns personagens secundários como Pilar Ternera que acaba tornando-se concubina dos irmão Buendía e outros não menos importantes e que de alguma forma interferirão na família Buendía. Entre eles o que mais merece destaque é o cigano Melquíades que vive as voltas com sua tribo, e é capaz de ressuscitar várias vezes. É ele que escreve os pergaminhos que narra a história da família Buendía e que só é decifrado quando o ultimo remanescente da família, Aureliano Babilônia, está a beira da morte.

De toda a história a parte que mais me encantou foi a das 32 guerras que o Coronel Aureliano Buendía promoveu contra os políticos conservadores. Apesar de ter se mostrado um período histórico de grande importância, depois de algumas gerações ninguém mais no povoado se lembrava de quem teria sido o homem que deu nome a uma rua do povoado. Assim como todos de sua família ele luta com paixão e impulsividade para alcançar seus objetivos e acaba tornando-se um espelho de seus próprios inimigos.

A vinda da companhia bananeira também é outro fator importante nesta história e que me fez sentir uma sensação de impotência, assim como tenho certeza a família Buendía também sentiu. Aquele povoado que até então era pacato e igualitário tornou-se uma cidade em ascensão. Sendo deixados de lado o companheirismo daquela gente que desde sempre esteve ali. Enfim a história transcorre em um realismo mágico e impossível. Não há um linha linear de tempo, mas não creio que isso vá te confundir se estiver tão inserido na narrativa como eu me senti.

A edição que eu li é a de 2006 esta mesma da capa aí em cima, e ela tem páginas brancas. O que achei  legal ressaltar é que a cada início de capítulo encontramos uma ilustração que no decorrer da leitura mostra ter tudo a ver com a parte da história que lhe compete. As letras me pareceram um pouco maiores do que o que estou acostumada ou talvez eu tenha tido essa impressão porque elas estão em negrito. Diria por fim que gostei sim da história, mas por tudo que ouvi falar sobre esperava muito mais.

Um intrincado labirinto familiar.
Quotes do Livro:

"As crianças haviam de recordar o resto da vida a augusta solenidade com que o pai se sentou na cabeceira da mesa, tremendo de febre, devastado pela prolongada vigília e pela pertinácia da suaimaginação, e revelou a eles a sua descoberta:— A terra é redonda como uma laranja"

"Úrsula chorava na mesa como se estivesse lendo as cartas que nunca chegaram, nas quais José Arcadio relatava as suas façanhas e desventuras. “E tanto lugar aqui, meu filho”, soluçava. “E tanta comida jogada aos porcos!"

“São todos iguais”, Úrsula se lamentava. “No começo são fáceis de criar, obedientes e sinceros, e parecem incapazes de matar uma mosca; mal aponta a barba se atiram à perdição.”

"Naquele Macondo esquecido até pelos pássaros, onde a poeira e o calor se fizeram tão tenazes que dava trabalho respirar, enclausurados pela solidão e pelo amor e pela solidão do amor puma casa onde era quase impossível dormir por causa do barulho das formigas ruivas, Aureliano e Amaranta Úrsula eram os únicos seres felizes, e os mais felizes sobre a terra."

"Lembrando-se destas coisas enquanto aprontavam o baú de José Arcadio, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
— Porra! — gritou. Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião. — Onde está? — perguntou alarmada. — O quê? — O animal!— esclareceu Amaranta. Úrsula pôs o dedo no coração. — Aqui — disse."



Júh
            Zanotti

16 comentários:

  1. Amei seu blog. Esse ano farei diferente. Quero ler pelo menos um livro em cada mês. Ano passado lia penas um, que vergonha !!! :/ Mas vai dá certo !!

    Primeiro Sorteio no Blog Menina-Linda

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  2. Não gostei da história :/
    Esse não é o meu tipo de leitura.

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  3. Cem Anos de Solidão é o livro que mais mexeu comigo até hoje, e me atrevo a chamá-lo de meu favorito. Não sei dizer bem o porquê, talvez a sensação de me sentir perdida no tempo e no espaço em relação a Macondo, ou os personagens que são tão peculiares e alguns até excêntricos, ou ainda pela própria escrita do autor que tem uma musicalidade incrível. Eu sei, eu babo por esse livro. Que pena que não atendeu plenamente às suas expectativas, mas é verdade que muita gente fala muito bem do livro.

    Bjos
    Livro Lab

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  4. Esse é meu livro preferido também. O fato de que você não consegue seguir de maneira linear a família e seus descendentes dão um tom de que a união na família é intensa porque todos parecem ser a mesma pessoa. Sem contar que a escrita de Gabo é poética e nunca achei uma vírgula numa frase que não precisasse estar ali. Tudo o que ele diz importa. Tudo tem significado.

    Além disso, o livro é uma metáfora para a América Latina. Enquanto o mundo evoluía, os Latinos se perdiam em guerras sem motivos e um tempo que parecia não caminhar. Não só isso, mas a Am. Latina estava e, de certa forma, continua isolada do mundo porque tem um estilo e uma "forma de pensar" própria.

    Boa resenha. Espero que se você der outra chance para o livro mais para frente, ele possa superar suas expectativas. =)

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  5. Apesar de todos os elogios que leio, ainda não conheço a escrita de Gabriel García Márquez.

    Realmente a sinopse não fornece muitas informações, :(

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  6. Posso estar cometendo um sacrilégio, mas não tenho muita vontade de ler as obras de Márquez. Acredito que sejam muito boas mesmo, mas a questão é que foge completamente do meu momento literário atual, tanto na linguagem, quanto nas histórias.
    Mas não fecho as portas, em outras circunstâncias, pode ser (e é até bem provável) que eu queira ler algo dele.
    bjs

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  7. Não me atraiu em nada esse livro. Sei lá, não faz o meu tipo de leitura.
    Mesmo com vários elogios sobre a obra, creio que não irei lê-lo.

    Beijos!

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  8. Esse livro não faz meu tipo de leitura sabe.Acho que ele não atrai muito as pessoas assim.Mesmo com muitos elogios,acho que eu não o leria.
    Beijos

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  9. Gostei da sua resenha e já vi outras resenhas super positivas, tenho muita vontade de ler este livro.

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  10. Caraca, ótima escolha. Esse livro é magnífico!

    Seu blog não segue um padrão clichê e fútil, gostei da forma como vc cativa todos os públicos. Parabéns!
    http://blogliterata.blogspot.com.br

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  11. Apesar de ter gostado dos queots (seja la como for que digita), a historia nao me chamou anta atenção assim não.

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  12. Que doido esse livro. Nunca tinha visto e até que gostei. Mas não sei se leria, a resenha me deixou meio pé atras com essa história, não sei se gostaria tanto =/

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  13. Me parece ser um livro muito bom e que nos passa muitas lições, gosto de livros assim.

    Beijinhos

    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  14. Algo que me deixou com pé atrás em sua resenha, foi a revelação do que Melquíades escreve é a história dos Buendía. Esse é um mistério muito bem desenvolvido em toda a narrativa, e você acabou spoileando como se fosse algo sem muita importância. Tanto quanto o fato de que a estirpe dos Buendía ser extinta.

    De todas maneiras, escreveu bem sobre a obra. Também ouvi muitos elogios ao Cem anos de solidão, mas creio que nenhum conseguiu expressar a grandiosidade da obra. Márquez, como o próprio se denomina, é o escritor da solidão. A partir disso consegue cria uma verdadeira tese fantástica e realista ao mesmo tempo do que é a solidão, com inúmeras personagens e tempos interligados de forma magistral.

    Como outra pessoa já comentou, a obra vai além, e traça um perfil da América Latina, mesmo que, ao meu ver, o grande x é a solidão e como cada um guia-se frente a ela.

    Sobre Gabriel criar obras que não são deste tempo, como alguém comentou, acho uma grande mentira. Basta ver seu tema: solidão. Este fator é universal, e como suas personagens lidam com esse sentimento torna-as tão verdadeiras que poderiam ser colocadas em qualquer tempo ou espaço. E além disso, em um mundo tão informal e impessoal no que tange à comunicação com essa era da Internet, que tema torna-se mais contemporâneo que a própria solidão de cada um?

    Cem anos de solidão é o ápice de toda a literatura realista fantástica que li até o momento.

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    1. Oi Jonathan sinto muito pelo spoiler, na verdade eu deveria ter tido maior cuidado com isso, mas de qualquer forma eu realmente julguei este fato um tanto quanto banal, mas exatamente porque achei a obra em si magistral e é o que ela é. Obrigada pela sua opinião :)

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